Na manhã de vinte e três de outubro, entre as 10h30 e as 12h20, a Biblioteca da Escola de Santa Marta de Penaguião acolheu uma ação de sensibilização dedicada aos videojogos e ao bem-estar, dinamizada pela Dra. Joana Ramos, licenciada em Psicologia pela UTAD. Na plateia estiveram turmas do quinto, sexto e sétimo anos de escolaridade, convocadas para uma reflexão participada sobre uma realidade que ocupa um lugar cada vez mais expressivo no quotidiano juvenil.

Partindo de números que apontam para mais de três mil milhões de jogadores em todo o mundo, a sessão começou por desmontar algumas ideias feitas acerca dos videojogos: nem a sua prática é, por si só, nociva, nem os riscos podem ser ignorados. A par dos possíveis efeitos negativos de uma utilização excessiva, foram salientadas potencialidades cognitivas, comportamentais e emocionais, da criatividade à aprendizagem, da coordenação motora ao trabalho em equipa, passando pela comunicação, pelo contacto com outras línguas e pela possibilidade de relaxamento.

A distinção entre uma prática equilibrada e um padrão problemático de jogo ocupou um lugar central na conversa. A dificuldade em controlar o tempo dedicado aos videojogos, a perda de outros interesses, a compulsividade e a persistência do comportamento apesar das consequências negativas foram apresentados como sinais a que importa estar atento. Irritabilidade ou tristeza quando não se pode jogar, tentativas frustradas de reduzir a prática e o desgaste das relações significativas podem, em conjunto, justificar a procura de apoio, sem que se confunda o gosto por jogar com uma situação de dependência.

Também a relação entre videojogos e violência foi objeto de esclarecimento: a apresentação referiu que vários estudos não encontram uma relação direta entre jogar videojogos e adotar comportamentos violentos, chamando a atenção para a importância de fatores psicossociais mais amplos. Em paralelo, a sessão abriu espaço à discussão da discriminação de que muitas raparigas continuam a ser alvo nos ambientes de jogo, bem como de outros riscos digitais — do ciberbullying e dos insultos à fraude informática e às abordagens inadequadas por parte de adultos.

A prevenção traduziu-se em recomendações concretas e próximas da experiência dos alunos: proteger palavras-passe, verificar a segurança das compras e das ligações, denunciar comportamentos impróprios, guardar provas quando necessário e pedir ajuda a um adulto de confiança. Foi igualmente sublinhada a importância de conhecer a classificação etária PEGI, de conversar com pais e encarregados de educação sobre os jogos e respetivas regras e de estabelecer horários que permitam conciliar esta atividade com outras formas de ocupação do tempo.

Entre exemplos, questões e momentos de participação, os alunos foram convidados a reconhecer que o equilíbrio não se alcança pela demonização dos videojogos, mas pela capacidade de os integrar numa vida diversificada, onde caibam também a leitura, o desporto, a música, a aprendizagem e o convívio presencial. Quando o universo digital se torna motivo de preocupação, recordar que se pode recorrer à família, aos professores, ao psicólogo da escola ou a profissionais de saúde constitui, também, uma forma de cuidado.

Mais do que uma advertência contra os ecrãs, a sessão constituiu, assim, um exercício de literacia digital e de responsabilidade partilhada: compreender para escolher melhor, jogar sem perder o controlo e reconhecer que o bem-estar depende, em larga medida, da medida com que se vive cada atividade.

Pedro Miranda

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