O perfil cívico da deputada e professora Ana Silveira construiu-se desde as ruas adjacentes a sua casa, caso típico do reparo no cuidado com o que vai bem e do que falha ou falta numa calçada ou num canteiro, participação e presidência da sua junta de freguesia (Arroios), envolvimento e integração numa das colectividades desportivas mais reconhecidas do concelho de Vila Real (Abambres S.C.), até as circunstâncias – entre as quais faz questão de sublinhar o feminino, em uma região na qual a política ainda se inscreve, muito, como coutada masculina – se conjugarem para aceitar o repto de se candidatar, e ser eleita, deputada da nação. Durante a manhã de 18 de Maio, perante turmas de nono e oitavo ano de escolaridade, no Auditório da Escola-sede do Agrupamento e, depois, na Biblioteca Escolar, com alunos dos sétimos e quartos anos, Ana Silveira, docente de Físico-Química, explicou as competências legislativa e de fiscalização do Governo como primaciais ao Parlamento, o funcionamento em comissõesparlamentares como âmbito de um conhecimento mais aturado e especializado dos dossiês que os deputados decidirão, as intervenções que já teve em Plenário e a obediência de voto em matéria orçamental (votação do Orçamento de Estado), o querer deixar como marca, ao longo da legislatura, no âmbito energético para Instituições de Solidariedade ou de âmbito associativo, o acolhimento e audição de posições divergentes, na “casa da Democracia”, acerca das questões em deliberação para uma pronúncia mais esclarecida, sopesando as tensões, que um dia poderão emergir, entre a representação (constitucional) da “nação” e a da “região” (que a elegeu), ou convicções pessoais e uma posição partidária (que, em termos académicos, um dia, eventualmente, poderá não ser completamente convergente). A recepção, em permanência, de comitivas internacionais, na Assembleia da República leva a deputada a exortar os mais jovens, sem obliterar os fundamentos da sua língua-mãe, a dominarem a língua inglesa, ferramenta essencial no tempo em que vivemos, injunção que complementa com a urgência de, desde muito cedo, os cidadãos em formação acompanharem, pelos jornais, pelos livros, por diferentes media a vida política que, afinal, mexe com quase todas as dimensões do seu quotidiano (a escola, uma ida ao hospital, os transportes, as vias públicas, etc.). A ida para Évora, no final do Secundário, realizar a sua formação académica, e a consequente constatação de como as suas colegas locais, haviam tido e possuírem uma forte politização e, bem assim, agora saberem articular e debater um amplo acervo de temáticas atinentes à polis foi um incentivo, estímulo e factor de mobilização face à dimensão política – que nunca mais a largou (formação, esta, a proporcionar aos jovens, que reconhece os partidos necessitarem de investir bem mais).

O Professor de EMRC

Pedro Miranda

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